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sábado, 17 de setembro de 2016

BROTAS NA HISTÓRIA - 45 ANOS DO ASSASINATO DE LAMARCA E ZEQUINHA



PINTADA  – 45 ANOS DO ASSASSINATO DE LAMARCA
16ª CELEBRAÇÃO DOS MÁRTIRES DA DIOCESE DE BARRA
                      Zequinha e Lamarca 17 de Setembro de 1971

Neste dia 17 de Setembro de 2016, ao completar 45 do assassinato de Carlos Lamarca e José Campos Barreto, o Zequinha, a igreja Católica comandada pelo Bispo diocesano D. Luiz Flavio Cappio, reúne em Pintada, católicos e visitantes, para a 16ª celebração dos Mártires.

                            Dom Luiz coordenara a Celebração

O evento é organizado pela Diocese de Barra, via Paroquia de Nossa Senhora de Brotas, de Brotas de Macaúbas, Paroquia de São João Batista, de Ipupiara, Paroquia de Nossa Senhora das Oliveira de Oliveira dos Brejinhos e a Pré-paroquia de Nossa Senhora da Piedade, de Cocal – Brotas de Macaúbas. Nesta celebração, mais uma vez, serão homenageados, os Mártires da Diocese de Barra, ou seja, pessoas que dedicaram sua vida por uma causa justa e morreram defendendo uma vida digna para todos. Da luta pela reforma Agraria, são homenageados, Josael de Lima o Jota, que morreu na cidade de Barra, assassinado por grileiros e Manoel Dias de Muquém do São Francisco, também morto por grileiros. Da luta contra a Ditadura Militar, nos anos 70, são homenageados o Professor Luiz Antônio Santa Barbara, Otoniel Campos Barreto, assassinados em Buriti Cristalino e o Capitão Carlos Lamarca e José Campos Barreto, o “Zequinha” assassinados em Pintada.

                                       Zequinha Campos Barreto
                                        Otoniel Campos Barreto

A CELEBRAÇÃO
Esta 16ª Celebração dos Mártires, acontece dia 17 de setembro de 2016, a partir das 15:00 h., na comunidade de Pintada, onde está localizado o Santuário aos Mártires da Diocese de Barra, construído no local exato onde tombaram o Capitão Carlos Lamarca e Zequinha Barreto, neste anos chama a atenção a inauguração do Bustos em homenagem aos mártires, onde ganhou destaque a estátua de Zequinha Barreto carregando Carlos Lamarca, retratando uma passagem da dolorosa fuga dos revolucionários, conforme relatou populares da comunidades de Carnaúba, quando Lamarca teria pedido a Zequinha que ele lhe deixasse ali e fosse embora, fugisse da repressão, ao que o Amigo respondeu: “Amigo na Vida Amigo na Morte”  e segui em frente carregando o companheiro que se encontrava enfermo e já sem condições de caminhar.
Amigo na Vida, Amigo na Morte
FOTOGRAFIAS
Também ficará aberta uma mostra de fotografia organizada por Wanderley Rosa Matos, com fotografias que revelam a passagem de Carlos Lamarca por Buriti Cristalino, como é o caso da Barraca armada no acampamento de Buriti Cristalino, objetos pessoas como Sandálias, sapatos e chapéus, fotografias que compõem o Relatório da Operação Pajussara, bem como fotos do Jornal Tribuna da Bahia, onde aparecem o pé de Baraúna que serviu de ultimo abrigo, a pedra que serviu de travesseiro e o embornal onde carregavam alimentos,  fotos da casa dos Barreto em Buriti Cristalino, pertencentes a Fundação Zequinha Barreto, além de fotografias dos quatro mártires, vitimas do Regime Militar.
                                Chapéus usados por Lamarca


                            Sandália e Sapatos de Lamarca

A Barauna serviu de Abrigo
              A Cruz fincada em 1971 - Uma Homenagem aos Mártires

CARTA DE LAMARCA AOS FILHOS
Quando esteva na clandestinidade Lamarca escreveu uma carta para seus filho, veja a seguir:
                                    Capitão Carlos Lamarca
Aos Meus Filhos
Vivo falando de vocês com meus companheiros, eles estão longe dos filhos também e falam nos filhos deles. Um só é o desejo de todos nós, é que nossos filhos sejam revolucionários. O que é um revolucionário? È toda a pessoa que ama todos os povos, ama a Humanidade, tem uma imensa capacidade de amar, ama a justiça, a Igualdade. Mas ele tem de odiar também, odiar os que impedem que o revolucionário ame, porque é uma necessidade amar. Odiar aos que odeiam o povo, a Humanidade, a Justiça social. Odiar aos que dominam e exploram o povo, odiar aos que corrompem, ameaçam e alienam as mentes, aos que degradam a Humanidade, aos injustos, falsos, demagogos, covardes.
O revolucionário ama a Paz, faz a guerra como instrumento para ter a Paz, a Paz justa, sem exploração do homem pelo homem. O revolucionário tem que ser capaz de todos os sacrifícios pela causa, de até se separar dos seus filhos para libertar todos os filhos, de se separar dos pais porque outros pais precisam dele. Quando vocês sentirem saudades de mim, lembrem-se que aqui no Brasil existem muitas crianças que passam fome, que andam descalças, sem escolas, que sofrem e vêem deus pais sofrerem. Lembram-se quando conversei com vocês no quarto e pedi a vocês que deixassem eu lutar para acabar com isso. Eu lembro bem que a Claudinha bateu palmas e o Cesar disse: "Muito bem, papai". Combinamos que tínhamos de ficar longe um do outro, e que guardaríamos no coração a esperança de nos encontrarmos novamente.
Vocês são felizes porque a mãe e o pai são revolucionários e vocês têm de ser também. Amem muito a mamãe, eu não posso beijá-la, todos os dias beijem duas vezes a ela, uma vez por mim. Tenho tantas saudades de vocês mas não choro, não beijo fotografias, encho o peito de ar e pego firme no meu trabalho. Penso em vocês e em todas as crianças, então ganho forças para lutar. Quando sentirem saudades, então estudem mais, perguntem tudo que não entenderem, perguntem sempre o porquê das coisas - perguntar e pensar - ver se é certo, se não for, falem, discutam - ver se é justo, se não for, lutem para mudar. Sejam disciplinados, façam somente o que for certo, justo. Ser disciplinado não é ser obediente, quem obedece tudo sem pensar não presta.
Como vai o treinamento de tiro? Não se esqueçam de colocar algodão no ouvido, e também de olhar sempre pra mira e puxar o gatilho bem devagar. Já mandaram consertar a pistola de ar comprimido? Espero que pratiquem corrida, natação e todos os jogos. Alimente-se bem, vocês que tanto gostam de frutas devem estar satisfeitos, aí ninguém passa fome, não tem mendigos, aqui... Aí comem abacate na salada, com sal e azeite; gostaram?
Como vai o jogo de botão? Você, Cesar, tem ensinado aos meninos? Seguem junto 29 bolinhas de cortiça, que fiz treinando a paciência, que eu tinha pouco, é preciso ser paciente, sem ser passivo, claro.
E você Claudinha, continua fazendo discursos? Como eu gostava, você vai ser uma grande agitadora.
Cuidem bem dos dentes para que possam mastigar bem. Não se esqueçam de cantar e dançar. O Cesar gosta muito de desenhar e a Claudia de pintar, procurem praticar bastante, procurem criar, não imitem ninguém.
Não chamem ninguém de senhor porque ninguém é senhor de ninguém. Mas ouçam os mais velhos e procurem fazer coisas melhor que eles, porque tudo que é novo é superior ao velho. Respeitem os mais velhos mas exijam que respeitem vocês - exijam mesmo.
Contei para os companheiros que o Cesinha usava nome de guerra e eles acharam engraçado. Já usei o nome Cesar mas tive de mudar.
Não sei como acabar essa carta porque é como se estivesse conversando com vocês. Espero receber uma carta de vocês, se não for possível, continuarei pensando muito em vocês.
A maior alegria que vocês podem me dar é aproveitar muito o estudo, preparando-se para fazer a Revolução em qualquer país. Muitos beijos para a minha esposa querida e meus filhos, com todo amor, cheio de saudades.
Ousar Lutar Ousar Vencer.
Carlos Lamarca

Texto: Wanderley Rosa Matos
Fotos: Operação Pajussara, Tribuna da Bahia, Fundação Zequinha Barreto,
Wanderley Rosa Matos, Cartaz do Filme de Buriti a Pintada (Reizinho).
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