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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

BROTAS DE MACAÚBAS: A SINA DE UM MUNICÍPIO PRESO EM SEU PRÓPRIO DRAMA










A SINA DE UM MUNICÍPIO PRESO EM SEU PRÓPRIO DRAMA

No início da noite do dia quinze de novembro, os cidadãos de uma pequena cidade do interior baiano já saberão quem será o novo prefeito. Entre foguetes, lágrimas, risos e chacotas, mais um ciclo da política brotense se fechará convidando um outro a nascer. De concreto, sabemos pouco; ou melhor, quase nada. Porém, há sim uma certeza sedimentada nas cabeças dos mais atentos: o ganhador das eleições terá o apoio de apenas 30% da população. Trazendo a colaboração de Ciro Gomes: "A democracia é uma delícia, mas tem seus custos."

O recorte estabelecido em Brotas nem de longe é inédito na cena política brasileira, embora para o pequeno município de outeiro, até então, ninguém imaginaria quatro candidatos lutando com tanto afinco para ser o mandatário da Prefeitura. O anacronismo também se apresenta como uma espécie de sombra pretérita, desafiando a própria conjuntura e o entendimento do eleitor de Brotas. Afinal, nessa eleição, passado, presente e futuro se confundem oferecendo uma abertura única de reescrita da História. 

Nesse espaço, muito foram os textos esmiuçando os projetos de cada um dos candidatos e da importância de uma escolha cuidadosa a esse respeito. Subsídios não faltam. Voltar nessa pauta é desvelar à margem da praticidade. O exercício, no entanto, tem com alvo o porquê de insistimos tanto em remédios comprovadamente ineficazes para problemas de ontem e de hoje? Sem dúvida, além de falta de maturidade, é um flagrante sinal de políticas públicas mal-sucedidas na área de Educação e de formação crítica-cidadã paupérrima; são as respostas ventiladas para a questão.

Poderíamos usar como argumento, fazendo mea-culpa, a contextualização impositiva do momento; uma vez que, seguindo a lógica, não era razoável manter quatro candidatos em um universo pequeno de eleitores como é o caso de Brotas. De fato, é válido o apelo. Entretanto, o seu alcance é limitado, pois, como sabemos, atentar nesse sentido macularia a democracia e descaracterizaria o jogo. Mais lógico seria assumirmos o quão ainda precisamos avançar na compreensão do nosso papel como sujeitos; ativos e intendentes pelo meio, em detrimento dessa postura tosca e sectarista em assuntos sérios e de interesse coletivo.

Caso haja aquiescência pela ideia acima, chegamos ao ponto onde cabe também a responsabilidade de algumas instituições por fazerem um trabalho de base duvidoso. Se Brotas é afamada como a terra de gente inteligente e criteriosa, por qual motivo será que continuamos votando tão mal? Parte da resposta está na falta de referência. Antes, só a título de exemplo, tínhamos uma Pastoral da Juventude atuante no município; mesmo com suas contradições e revezes, tentava executar uma proposta libertária para os jovens, na qual a criticidade era uma das marcas. Nada disso parece ter importância nos dias atuais. As redes sociais formam e moldam os pensamentos de todos.

A somatória das razões produzem o panorama posto diante dos nossos olhos. E é inegável a parcela de culpa carregada por cada um de nós. A desorganização dos atores envolvidos na política brotense é algo chocante. De mamando a caducando, sem preocupação com o Leviatã, encarceraram as interações e inviabilizaram o debate. Com a crença infantil que a população daria conta de ponderar os riscos e assim faria a melhor escolha, esses indivíduos lançaram-se no escuro e levaram com eles o município. Não se trata, contudo, de condenar alguém; mas sim somente contestar o pífio desempenho demonstrado.

E, se por ventura, no apagar das luzes, algo mudar; a sorte será a responsável bem à frente de um planejamento consolidado e eficiente. Convenhamos, seria algo totalmente atípico e pouco provável. Talvez seja mesmo salutar um adiamento nos planos e deixar o povo esgotar até a última gota de esperança nas suas velhas apostas. Mais tarde, com melhor preparo e organização, vim à tona um movimento genuinamente capaz de representar todos os brotenses e com olhar e ação singular.

Utopia ou não, devemos acreditar em como a política é especial, pois ela nos oferece sempre a possibilidade de alinharmos, de nos reinventarmos, de seguirmos adiante. Tudo passa. E por mais que seja difícil aceitarmos certas resoluções, devemos manter a serenidade para reconhecermos o momento de cada coisa. Se não está morto quem peleja, vamos nos permitir lutar por nossas convicções e validá-las com nosso instrumento mais potente: o voto! Portanto, votemos com consciência e que Deus abençoe nossa amada Brotas de Macaúbas.  



Fotos da Internet
14/11/2020


BROTAS DE MACAÚBAS: A SINA DE UM MUNICÍPIO PRESO EM SEU PRÓPRIO DRAMA
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