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sábado, 4 de setembro de 2021

BROTAS NA HISTÓRIA: CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE NIVALDO ROSA CAMPOS


 

Brotas de Macaúbas, 04 de Setembro de 2021

Celebração do centenário de Nascimento de 

N I V A L D O  R O S A  C A M P O S 

Por Wanderley Rosa Matos

É com grande alegria que rendemos hoje a nossa singela homenagem a este grande homem, apaixonado por Brotas, sua terra natal, para a qual dedicou a sua vida e fez de tudo para vê-la ela brilhar, especialmente no que se refere à cultura.

Nivaldo Rosa Campos foi um excelente músico saxofonista, que aprendeu a arte com seu pai Arthur da Silva Campos e dedicou grande parte de sua vida à cultura brotense, abrilhantando as festas tradicionais, as celebrações religiosas e eventos familiares, como casamentos, aniversários e batizados. Se necessitavam de música, lá estava ele tocando seu instrumento, quase sempre voluntariamente.

Para ele a música era o combustível da vida e o som resultante do seu sopro suave, na palheta do saxofone, o alimento para a alma, pois adorava sentir a vibração vinda do  povo, na forma da felicidade que transbordava dos corações.

Então, quando era chamado, estava pronto para levar a cada canto sua arte, a sua música.

A ele o nosso reconhecimento, nossa gratidão e o nosso Amor!

O CENTENÁRIO.

Neste dia 04 de setembro de 2021, passados 31 anos e quatro meses do seu falecimento, ocorrido em 29 de abril de 1990, quando tinha 68 anos e oito meses, celebramos o centenário do nascimento de Nivaldo Rosa Campos.

PALAVRAS INICIAIS.

Celebramos com alegria esta magnífica data, o centenário do nascimento de NIVALDO ROSA CAMPOS, um homem simples, um amigo fiel, que durante os 68 anos de vida, sempre irradiou paz, alegria e felicidade, através das suaves trilhas sonoras do saxofone, que falava direto aos corações. Através da melodia harmoniosa despertava emoções e sentimentos nobres como a alegria, a felicidade, a paz e o amor.

Por tudo que fez, vai morar sempre em nossos corações e sua história de vida permanecerá viva, inspirando novas gerações, seja pela sua incansável dedicação à musica, seja por sua constante busca pelo conhecimento, seja por sua militância voluntária pela cultura, pela sua fé em Deus, pela sua disposição para seguir em frente e, especialmente, pelo amor à família e à sua terra natal, Brotas de Macaúbas.

Neste dia, queremos te dizer que temos muito orgulho de fazer parte da tua vida e da tua história. Saibas que tu sempre vais morar em nossos corações.

NIVALDO ROSA CAMPOS.

Foi o terceiro filho do casal Arthur da Silva Campos e Ricardina Rosa Campos, legítimos representantes de duas das mais tradicionais famílias brotenses, “Dos Santos Rosa” e “Silva Campos.

OS PAIS.

O Senhor Arthur da Silva Campos e Dona Ricardina Rosa Campos, naturais da antiga Villa Agrícola de Nossa Senhora de Brotas, terra onde viveram, casaram e criaram seus filhos, sendo ela de prendas do lar, uma pessoa muito boa e humana, que gostava de “pitar” um cigarrinho de fumo da região e ele um artista multifuncional, que fazia de tudo um pouco, porém sua principal atividade era a carpintaria, ao mesmo tempo agricultor e também criava umas poucas vaquinhas de leite. Nas horas de folga, tinha a música como distração, além do que, atuou como Juiz de Paz e advogado rábula e, para relaxar, adorava tomar uma cachaça de alambique.  

OS AVÓS E BISAVÓS.

Por parte da mãe: Major Joviniano dos Santos Rosa (1862/1948), filho de Domingos dos Santos Rosa e Josefa Alves de Oliveira e Maria dos Santos Rosa (1860/1948), filha de Felipe Pereira do Vale e Vivência Pereira do Rosário.

Por parte do pai: Antônia Joaquina Barbosa Campos, filha de Joaquim Barbosa Campos e Efigênia Pereira Campos e Francisco José da Silva (Chico Rico), filho de João José da Silva e Joana Rosa da Silva.

O BATISMO

Seus pais, Arthur e Ricardina levaram-no à Pia Batismal da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Brotas, em celebração sacramental, presidida pelo então Padre Crescenciano Alves Carrilho, tendo com padrinhos, dois grandes amigos da família: o Coronel Rosendo Manoel do Amorim, um comerciante de secos e molhados e de pedras preciosas, residente na povoação de Minas do Espírito Santo, um dos homens mais respeitados do município e Dona Carduzina Queiroz Matos, (irmã do Coronel Horácio de Matos), uma mulher guerreira e valente, muito respeitada e querida. 

TERRA QUERIDA

A Vila Agrícola de Nossa Senhora de Brotas era então um pequeno município localizado nos limites da Chapada Diamantina com o Vale do Rio São Francisco, e, naquele ano de 1921, experimentava um período de Paz, ou seja, um período em que os constantes confrontos armados deram uma trégua  e  as disputas internas foram apaziguadas, diferentemente dos próximos passados anos, onde a violência era a regra, a exemplo de 1914 do “Barulho do Pega,” que durou nove dias de tiroteio acirrado ou 1919, quando da Guerra de Barra do Mendes, um conflito que durou cinco meses e um dia e resultou em mais de 600 mortes e envolvera a população do município, ou seja, de um lado, os  Mandiocas ou Leões, liderados pelo Coronel Horácio de Queiroz Matos e do outro os Mosquitos, liderados pelo Coronel Militão Rodrigues Coelho. 

Então 1921 foi um ano diferente do que era normal, pois o pequeno município de Brotas viveu o seu segundo ano de paz. Apesar das tensões, comuns ao pós-guerra, o momento era de estabilidade e reconstrução, uma conquista resultante do armistício de paz celebrado no “Convênio dos Lencóis”, firmado pelo governo federal e o Coronel Horácio de Matos.

Epóca que a gestão pública municipal de Brotas  foi exercida por eleição democrática, foi restabelecida a ordem e assumiu a Intendência o Sr. Pedro dos Santos Rosa, por três anos, de 1920 a 1923.

Com a paz, veio um dos períodos mais férteis da vida do município, a chegada da instrução pública, até então de pouca expressividade, uma vez que as experiências implantadas eram muito frágeis, devido a ausência de professores, causada pelas dificuldades existentes na época. A difícil adaptação dos professores à região, os baixos salários pagos pelo governo e os constantes atrasos nos pagamentos, somados à carência de infraestrutura   formavam um campo propício para a ausência da escola pública. Assim, a única possibilidade de estudar era reservada às famílias mais abastecidas, que contratavam professores leigos a fim de ensinar as “primeiras letras” e as “operações matemáticas” aos seus filhos.

Então a paz proporcionou um grande desenvolvimento da educação pública no município, com a chegada dos primeiros professores vinculados à instrução pública e deram início à formação do atual sistema de educação, através do estabelecimento de escolas públicas.

Podemos citar então a chegada do professor Santana e, tempos depois, da professora Adalgisa Umbelina de Almeida Santos e seu esposo, o professor Francisco Irineu dos Santos, que aqui em Brotas, tiveram um filho famoso e conhecido mundialmente, o geógrafo Milton Almeida dos Santos. E ainda da grande Mestra da educação brotense, a Professora Maria de Meira Lima Costa, ou simplesmente a “Professora Cotinha”, como ficou popularmente conhecida.

Foi nesta época que os irmãos Idalice e Nivaldo, tiveram a oportunidade de estudar até o quarto ano, na escola da professora Adalgisa, onde aprenderam a ler e escrever corretamente.  

OS IRMÃOS

Além de Nivaldo Rosa Campos, os pais tiveram mais cinco filhos: Arthur (Manim), Idalice, Eunice, Joviniano e Dilce, todos eles de formação cristã, seguidores do catolicismo e devotos da Padroeira Nossa Senhora de Brotas. Formavam uma família de pessoas simples, porém felizes, que não possuíam grandes posses, porém conseguiam se manter com certa facilidade, principalmente pela força do trabalho de todos, sob a liderança dos pais. Eram muito estimados e respeitados, principalmente pela força que resultava da união da família, da força do trabalho e da fé em Deus que cultivavam. 

ARTHUR DA SILVA CAMPOS FILHO (MANIM) - O irmão mais velho, o primogênito da família, o qual desde cedo dedicou a sua vida à família, sempre como atenção total aos seus pais e irmãos.

Manim morreu solteiro e não teve filhos reconhecidos.

IDALICE ROSA CAMPOS QUEIROZ - A segunda filha do casal e grande conselheira e amiga de todos os irmãos, desde cedo assumiu, juntamente com sua mãe, os cuidados com os demais irmãos, tornando-se logo uma liderança na família.

Casou-se com João Queiroz e deram aos irmãos sete sobrinhos, todos eles homens: Nivaldo, Delsuc, João, Ademir, José Carlos (Zelito), Arthur e Wilson. O primogênito recebeu o nome do tio e Ademir foi seu afilhado.

EUNICE ROSA CAMPOS - A quarta irmã, era uma pessoa amorosa, mensageira de muita paz e tranquilidade, tinha sempre uma palavra amiga de conforto e sempre estava disponível para ajudar, mantendo-se por perto dos irmãos e amigos.

Foi casada com Durval Campos e deram aos irmãos, oito sobrinhos: Valnice, José Tadeu, Euval, Ademar, Lenira, Alberto, Elenice e Mário Luiz.

JOVINIANO ROSA CAMPOS (VENA) - O quinto irmão, o caçula dos homens, músico por excelência, tinha o mesmo nome do avô, do qual também adotou o apelido de “Major Vena”. Era dono de uma alegria mágica e adorava dar gargalhadas imensas, que contagiavam a todos. Sabia agradar com facilidade e, quando tocava saxofone, encantava os que o ouviam. Formava com o irmão Nivaldo uma dupla formidável, sendo que os dois se tratavam pelo apelido de “Hermano”, remedando uma espanhola, namorada de Vena, que assim chamava tio Nivaldo.

Casou-se em São Paulo como dona Zilda Garcia e deram aos irmãos dois sobrinhos, Nélio Garcia e Jovenildo Campos.

DILCE ROSA CAMPOS DE MATOS - Irmã mais nova, o xodó da família, querida e adulada por todos, exatamente por sua meiguice. Sempre foi uma irmã amorosa e dedicada, soube seguir os passos das suas irmãs nas qualidades que cada uma delas tinham e chamava atenção por sua beleza e simpatia.

Casou-se Vanderlino Martins e deram aos irmãos oito sobrinhos: Artur Henrique, Vanderlino, Wanderley, Vandilson, José, Marília, Lucília e Dinalúcia. Vandilson foi Batizado por tio Nivaldo.

A INFÂNCIA DE NIVALDO ROSA CAMPOS

Sabemos muito pouco sobre a infância do menino Nivaldo, porém a notícia que temos é que foi de muita traquinagem, pois era uma criança sadia, morava nas proximidades de uma pequena praça da cidade, onde desfrutava, juntamente com seus irmãos, primos e demais crianças do lugar, de toda liberdade de brincar e correr pelos ruas e praças da pequena vila de Brotas.

Também ainda na infância começou a ajudar seus pais, tanto na “tenda”, uma carpintaria da família, onde o “Mestre Arthur” trabalhava na fabricação de moveis, como na pequena propriedade agrícola, onde plantavam e colhiam feijão, milho, melancia e mandioca, ou ainda cuidava de uns poucos animais, sendo que a parte que ele mais gostava, era ir com o pai, ao amanhecer, para tomar leite quente, saído diretamente do peito da vaca.

Na ausência de escola e de professores, a alternativa era aprender com os pais e foi assim que no dia a dia de trabalho, ao tempo que ajudava nas tarefas, também aprendia as primeiras letras e a crença em Deus, principalmente através das histórias bíblicas, contadas pelo pai.

E, assim, as atividades da tenda se transformaram em aprendizado, tanto na arte da carpintaria, quanto nas tarefas da roça, ou mesmo nos encontros da filarmônica, onde tomou gosto pelo saxofone e logo aprendeu a tocar.

Foi por volta dos 12 anos que ingressou na escola da professora Adalgisa e desenvolveu-se nos estudos, tendo cursado até a quarta série primária. Aprendeu a ler e escrever corretamente e tinha uma caligrafia bonita. Nesse período, tomou gosto pelo estudo do dicionário, para aprender palavras diferentes e difíceis, as quais eram utilizadas numa brincadeira muito apreciada na época, um desafio de conhecimento do vocabulário, a famosa charada, cujo objetivo do jogo é a adivinhação de um enigma, cuja solução se encontra nas sílabas da frase conceitual.

A JUVENTUDE

Na Juventude, o jovem “Valdim de Ricardina”, como era popularmente conhecido, passou a frequentar as festas, inicialmente como músico. Era um jovem alto e muito bonito, chamava a atenção de todos, era bem quisto e desejado. Tomou gosto pelas festas e não perdia uma, sempre bem vestido e alinhado, muito elegante, usando modernos chapéus tipo Panamá, impecavelmente combinando com a indumentária.

A GUERRA

Antes mesmo de completar 18 anos, tomou conhecimento do início da Segunda Guerra Mundial, o maior conflito armado da história da humanidade, iniciado no dia 1º de setembro de 1939, quando as forças nazistas alemãs de Adolf Hitler invadiram a Polônia e dividiu o mundo em dois grandes blocos, os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão), e os aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética).

O Brasil entrou no conflito a partir de 1942, quando o presidente Getúlio Vargas, rompeu as relações diplomáticas com a Alemanha, após os submarinos alemães torpedearem e afundarem cinco navios da marinha mercante brasileira. Os ataques indignaram a opinião pública e o Presidente da Republica declarou guerra a Alemanha.

Com a declaração de guerra o Brasil precisava mobilizar soldados a serem enviados para as batalhas. Em novembro de 1943, o governo criou a Força Expedicionária Brasileira (FEB)  e soldados de diferentes partes do país foram convocados para formar um corpo de aproximadamente 25 mil militares, comandados pelo general Mascarenhas de Morais.

Os soldados brasileiros, integrados ao 5º exército americano, foram fundamentais na libertação da Itália, conseguindo vitórias importantes em cidades e regiões estratégicas, como o Monte Castelo, Turim, Montese, entre outras.

QUATRO JOVENS BROTENSES CONVOCADOS PARA A GUERRA

Foi neste clima tenso das notícias de muitas mortes e muita destruição ocasionadas pelas violentas batalhas travadas na  guerra que, em 1945, depois de 25 anos de paz, que os brotenses receberam, com muita aflição e medo, a  convocação de quatro de seus jovens filhos, para lutar nos campos de batalha da Guerra Mundial. Assim, os jovens Nivaldo Rosa Campos, Lorival Arcando Ribeiro, Idalécio Martins do Espirito Santo e Rosalvo Capuchim, tiveram que se apresentar na cidade de Feira de Santana, Bahia, no 53º Batalhão de Infantaria, para serem preparados e enviados para a guerra. 

É que a Força Expedicionária Brasileira precisava de mais 60.000 soldados a serem recrutados via alistamento militar, por sorteios ou por adesão voluntaria. Assim, dentre os convocados, figuravam os quatro reservistas brotenses. Ao se apresentarem foram submetidos a exames de saúde, e, como atendiam aos critérios mínimos, pesavam acima de 60 quilos, tinham mais de 1,60 metros de altura e possuíam mais de 26 dentes, foram aprovados, receberam suas fardas, ficaram prontos, aguardando o navio que os levariam à Itália.

Brotas viveu dias difíceis, de muita tensão. As famílias choravam, apreensivas e rezavam pedindo a Deus por seus filhos, todos jovens e queridos.

Porém a expectativa foi aumentando com as primeiras cogitações do fim da guerra, a rendição do exercito Japonês, após o lançamento das duas bombas atômicas, a primeira sobre Hiroshima, no dia 06 de agosto e a segunda sobre Nagasaki, no dia 9 de agosto de 1945.

Até que, em setembro de 1945, ao completar seis anos, chegou ao fim a pior tragédia da história da humanidade, a 2ª Guerra Mundial, com a Alemanha se rendendo incondicionalmente às tropas do mundo livre.

A notícia da rendição repercutiu em todos os países do mundo, em todas as cidades. A notícia do fim da guerra repercutiu e foi motivo de festa, inclusive na pequena Brotas, em especial para as famílias dos jovens que foram convocados, que, aliviadas, festejaram e mandaram celebrar uma missa na matriz de Nossa Senhora de Brotas, agradecendo pelo retorno de seus filhos Heróis, os quais, com coragem e determinação, aceitaram o desafio de suas vidas, servir a pátria amada, e se preciso fosse, morrer pelo BRASIL. Mesmo não tendo entrado em combate, ou melhor, sequer saíram do quartel em Feira de Santana, são nossos Heróis, mesmo que, ainda hoje, passados 76 anos, o governo brasileiro e o nosso Exército ainda não os reconhecem como Heróis.

Contam os mais velhos que foram muitos fogos e muita festa para receber os Heróis Brotenses, um dia de imensa alegria. Todos queriam abraçar os jovens conterrâneos e escutar suas histórias, conforme conta Dona Dilce, irmã de Nivaldo, que lembra que gostava de ficar escutando seu irmão contando a aventura, enquanto imaginava como seria o mundo, que existia atrás da serra da Colônia.

Já “Dona Joaninha de Zé Bento”, ainda hoje, conta da aflição de ver seu esposo Rosalvo Capuchim, partir para a guerra e da alegria que viveu com a sua volta. E canta uma marchinha que aprendeu, que diz mais ou menos assim: 

 Toca caixa e bomba zoa

Só me parece / uma marcha de guerra

Mais quando vejo / a corneta tocar

Meus olhos da para chorar/ alembrei da minha terra

Tire o lenço da gibeira/ Faça o favor de entregar a minha mãe

Mais diga a ele que quem vai para a guerra sou eu

Eu vou e torno voltar/ vou sentar praça na marinha

UMA TEMPORADA EM SÃO PAULO

Passado bom tempo depois que voltou de Feira de Santana, Nivaldo Rosa Campos, a convite de seu irmão Manim, decidiu ir para São Paulo, em busca de uma oportunidade de trabalho e logo conseguiu uma colocação de emprego na mesma empresa em que trabalhava seu irmão Manim, a LIGHT do Brasil, uma empresa norte americana de geração de energia elétrica. Trabalhou como auxiliar de topografia, juntamente com seu irmão, na cidade paulista de Jundiaí, por ocasião da construção de uma hidrelétrica. Ficou lá por algum tempo, porém decidiu voltar para o torrão natal, pois sentia a falta de sua terra e de seus familiares e amigos.

DE VOLTA  A BROTAS

De volta a Brotas e Macaúbas, Nivaldo Rosa Campos dedicou-se às profissões que aprendera da infância/adolescência com seu pai Arthur Campos.

A Marcenaria – A primeira atividade que desenvolveu foi estruturar uma marcenaria, onde montou uma equipe de marceneiros, que tinha como objetivo a fabricação de móveis para atender as demandas locais, assim logo começou a produzir e comercializar portas, janelas, camas, guarda roupa, cristaleira, mesas e cadeiras.

O Jazz - Outra ação que estruturou foi retomar a paixão pela música, e assim, fundou um grupo de Jazz, formado basicamente por jovens músicos brotenses, com os primos: Jany (trombone), Zé Mutim (bombardino), Tonhá (trompete) e Licinho (pandeiro e bateria), Vilmar (trompete), Nivaldo Queiroz (saxofone), Vanderlino Martins (requinta), Maninho de Henrique (piston), Jorge Gervásio (sanfona), Beto de Gerimias (Sanfona) dentre outros.

 O Jazz foi muito requisitado para animar as festas da região e marcou toda uma geração, com um música de boa qualidade, que embalava eventos como missas, leilões, alvoradas,  festa tradicionais como os famosos carnavais brotenses, as festas do Divino Espírito Santo, a Festa de Nossa Senhora de Brotas, os festejos juninos, como a Festa de Santo Antônio de Gameleira, atual Ibipetum, o São João de Ipupiara e, o São Pedro do Ouricuri do Ouro, além de outras festas em Oliveira dos Brejinhos, Bom Sossego, Barra do Mendes e Ibotirama.

Mas o principal reduto do Jazz sempre foi o Bar Alvorada, um sofisticado Bar, instalado no centro de Brotas, de propriedade de comerciante de Cristal de Rocha, o senhor “Miruzim”, de quem Nivaldo era compadre e amigo e que era um grande incentivador da música.

A Padaria São Jorge - Também foi neste período que montou a Padaria São Jorge e passou a produzir pães e biscoitos, que abastecia, em grande parte, a população brotense, a qual adorava as delícias produzidas pelo padeiro José, que ficou conhecido pela alcunha de “Zé Padeiro”.

Fiscal de Obras Públicas - Já a partir de 1951 deu inicio a uma nova atividade, o Serviço Público Municipal, inicialmente desenvolvendo a atividade de Fiscal de Obras da Prefeitura, nomeado pelo então prefeito Oswaldo Rosa, onde trabalhou por quatro anos, de 1951 a 1955. Era o responsável pela fiscalização de todas as obras em andamento no Município, onde se destacam a construção de diversas estradas vicinais, como a estrada que liga a comunidade de Mata do Bom Jesus a Cristalândia e Mourão, alguns mercados municipais como o da comunidade de Mata do Bom Jesus, a construção do prédio da Prefeitura Municipal, atual Biblioteca Professor Milton Santos e também da Praça da Bandeira, no centro da cidade.

Guarda Fios da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - Foi na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, agência de Brotas de Macaúbas, indicado pelo então prefeito Oswaldo Rosa, que Nivaldo Rosa Campos dedicou grande parte de sua vida, tendo assumido inicialmente o cargo de Guarda Fios, atendendo às linhas entre Brotas/Ipupiara/Morpará. Nessa época, o trabalho era uma grande correria, principalmente nos períodos chuvosos, quando era necessário fazer algum reparo nas linhas telegráficas. Mas ele sempre gostou do trabalho e desempenhava-o com dedicação. Ali conseguiu a sua estabilidade econômica.

Além dos serviços prestados na agência Brotas, também trabalhou em outras cidades do Estado da Bahia, como Urandi, Barra do Rio Grande, Ibotirama e Caravelas, período em que manteve sua família morando em Brotas, a fim de favorecer sua família e o apego pela terra natal, para onde sempre retornava.

O CASAMENTO

Era ainda bastante jovem quando conheceu e encantou-se com a sobrinha da Professora Cotinha, a jovem Teresa de Meira Lima e Oliveira. Logo teve início um namoro entre eles. A jovem namorada voltou para a sua terra natal, a cidade da Barra do Rio Grande, a fim de dar sequencia aos estudos, no Colégio Santa Eufrásia.

Passaram se alguns anos e a agora diplomada “Professora Terezinha” voltou para Brotas, para o convívio de sua tia/mãe, e logo foi nomeada pela Secretária de Educação do Estado da Bahia para lecionar em Brotas de Macaúbas.A Professora Teresa de Meira Lima e Oliveira, nascida em 13 de outubro de 1923, na cidade de Barra do Rio Grande, é filha de Antônio Pinto de Oliveira e Martinha de Meira Lima e Oliveira. Pode-se dizer que ela foi criada em Brotas, pois desde menina, veio, juntamente com sua irmã, a também professora Nívea, morar com seus tios, a Professora Cotinha e seu esposo Francisco Mendes da Costa, “seu Santo”, além das tias Ana de Meira Lima, (Nanoca) e Joana Nepomuceno de Oliveira, “Ponossa”, e de uma “criada” Maria Domingas Zeferina Meneses, ou seja “Maria da Professora”.

 Contam os amigos que o amor de Tereza e Nivaldo estava escrito nas estrelas, e, assim, o romance de outrora retomou sua trajetória e o jovem casal retomou o namoro. No dia 05 de setembro de 1952, o jovem Nivaldo Rosa Campos, no dia seguinte ao seu aniversário de 31 anos, recebeu o melhor presente de sua vida, a mão de sua amada, agora Tereza Lima Oliveira Campos, como legitima esposa.

Como naquele ano não tinha padre na Matriz de Nossa Senhora de Brotas, o casamento foi realizado na igreja de Nossa Senhora das Oliveiras, em Oliveira dos Brejinhos, para onde os noivos foram conduzidos, no caminhão de João Bastos, um grande luxo, na época. Contam, que após a celebração, de volta a Brotas, teve vez uma grande festa.

Nivaldo e Terezinha viveram juntos e felizes por 38 anos, e, muito embora ele gostava de dizer, em tom de brincadeira, que: “Terezinha foi a mulher que inventou o ciúme”, a vida do casal foi recheada de bons momentos, o que refletiu na beleza e amorosidade de seus filhos: Zilca Lenira, Edilson, Nivaldo, Maria Lícia (falecida) e Lícia Layse.

SUAS PAIXÕES

Foram quatro as grandes paixões de sua vida: - A primeira dela foi a sua família, sendo ele um filho exemplar, um irmão amigo, como também esposo amoroso e um pai dedicado. Amava com veneração sua família e seus familiares.

A segunda paixão, sem dúvida, foi a música, pela qual dedicou grande parte de sua vida e fazia de tudo para com ela abrilhantar os eventos culturais de Brotas e das demais cidades da região e tinha um sonho de abrir uma escola de música em Brotas, para que a juventude tivesse a oportunidade de aprender a tocar um instrumento.

A terceira paixão foram os estudos. Embora só tenha cursado até a quarta serie primaria, desenvolveu boa leitura e boa caligrafia e aprendeu com a professora Aldalzira Umbelina, mãe do geógrafo Milton Almeida dos Santos, a gostar de português e gramática, assim sempre estava estudando.

A terceira paixão foram os estudos. Embora só tenha cursado até a quarta serie primaria, desenvolveu boa leitura e boa caligrafia e aprendeu com a professora Aldalzira Umbelina, mãe do geógrafo Milton Almeida dos Santos, a gostar de português e gramática, assim sempre estava estudando.

A quarta paixão, sem dúvida alguma, foi a sua Terra Amada e querida, Brotas de Macaúbas.  Amou-a por toda a sua vida. Brotas sempre foi para ele um porto seguro, o local onde a estabilidade das energias alcançavam o equilíbrio fantástico, formando um campo propício ao desenvolvimento da felicidade plena e da mais espontânea paz espiritual. Assim, soube amar e querer o bem de sua terra, muito embora algumas vezes, por força do trabalho ou de sua família, teve que morar em outras cidades. Sempre quis viver perto de sua terra amada. Foi assim, quando esteve em São Paulo e, mesmo conseguindo uma boa colocação na Light do Brasil, não conseguiu ficar longe de Brotas e voltou. Em outras ocasiões, quando trabalhava nos Correios, teve que mudar para outras cidades, mas sempre retornava a Brotas. Deixava a família residindo em Brotas, com o pretexto de estar próximo da fonte que lhe abastecia de felicidade. Mas fez a opção por sua família quando foi morar em Salvador, a fim de criar melhores oportunidades para seus filhos, que necessitavam de estudar e trabalhar. Da mesma forma, sempre dava um jeito de voltar a Brotas, como se necessitasse de respirar o seu ar para continuar a viver.

A FAMILIA OLIVEIRA CAMPOS



OS FILHOS

Zilca Lenira Oliveira Campos.

É o primeiro fruto do casamento de seu Nivaldo e da Professora Teresinha, nascida depois de quase dois anos do casamento, no dia 13 de junho de 1954, em Brotas de Macaúbas. Apesar do parto ter sido muito difícil, a família ficou imensamente feliz com a chegada de uma criança linda e saudável.

O nome foi sugerido pela Mãe e aperfeiçoado pelo Pai, que alterou duas letras, passando de  Gilca Lenita para  Zilca Lenira. Ele adorava ser o responsável pela escolha.

 Atualmente Zilca Lenira Oliveira Campos mora em Salvador e é formada em Economia pela Universidade Federal da Bahia, servidora pública estadual, lotada na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.

É mãe da jovem Violeta Campos Ribeiro Vilas Bôas, que é casada com Lucas Sant’anna Vilas Bôas e avó da linda Aurora Campos Vilas Bôas.

Edilson Oliveira Campos

Nascido no dia 22 de outubro de 1956, em Brotas de Macaúbas, seu nome foi sugerido pela tia Idalice Rosa Campos, uma homenagem ao Padre Edilson, que veio da Barra do Rio Grande para atuar na Paróquia de Brotas.

Atualmente é empresário em Salvador, no ramo de prestação de serviços a condomínios e em Brotas de Macaúbas, onde possui uma fábrica de aguardente e rapadura e também atua no seguimento de hotelaria, com a famosa Pousada Vovó Teresinha e também festas, além de tele cobranças.

Foi casado em primeiras núpcias com Maise Campos, com quem tem um casal de filhos: Thaís Campos e Thiago Campos. Esses dois filhos deram-lhe cinco netos: Tainná, Pedro e Liz, filhos de Thaís e Lucas e Guilherme, filhos de Thiago. Do relacionamento com Carla Pereira Almeida tem a filha mais nova, Ludmilla Almeida Campos. Atualmente é casado com Christiane Ferraz, com quem vive muito feliz e conta com a sua inestimável colaboração nos projetos em prol de Brotas de Macaúbas.

 Nivaldo Oliveira Campos

Nascido em 23 de março de 1958, em Brotas de Macaúbas, é o segundo filho homem do casal Nivaldo e Terezinha. Recebeu o mesmo nome do Pai, uma escolha muito feliz da mãe, prestando uma homenagem a seu grande amor. Ele cresceu e hoje é reconhecido por todos os familiares e amigos como um retrato do Pai, sua imagem e semelhança.

Nivaldo já desenvolveu grandes experiências bem sucedidas em diversas atividades profissionais. Hoje é corretor de imóveis, atuando principalmente no mercado da capital baiana e, em Brotas de Macaúbas, onde também desenvolve atividades nos empreendimentos de seu irmão Edilson. Foi casado com Rita Maia, com quem tem duas filhas: Carolina Maia Campos e Júlia Maia  Campos.

 Lícia Layse Oliveira Campos

Nascida em 13 de setembro de 1963, em Brotas de Macaúbas, filha caçula do casal Nivaldo e Terezinha.

Seu nome foi uma sugestão da Mãe e da irmã Zilca. A mãe queria Maria Lícia, o mesmo nome da irmã falecida aos seis meses de idade. Foi aconselhada a não repetir, mas, como desejava manter o nome Lícia, então Zilca, procurando um segundo nome, pesquisou na revista Seleções e encontrou Layse, que veio a compor o nome Lícia Layse, uma combinação perfeita.

Formada pela Escola Baiana de Medicina, a Drª. Lícia exerce a medicina nas especialidades da ginecologia e obstetrícia, trabalhando
na rede pública e também na iniciativa privada, onde é respeitada e querida pelo ótimo trabalho que desenvolve.

Lícia Layse Oliveira Campos foi casada com Damião Bregalda, passando a chamar-se Lícia Layse Campos Bregalda. Com ele tem um filho, Afonso  Campos Bregalda.

LEGADO DE NIVALDO ROSA CAMPOS

Os filhos herdaram dele o gosto pelas festas e Carnavais, pois desde pequenos participavam de todos os eventos que ele abrilhantava com a música e seu maravilhoso saxofone.

Imenso era o prazer que ele sentia em proporcionar alegria e felicidade a todos, em momentos especiais de suas vidas, pois não media esforços para promover as famosas alvoradas festivas, eventos religiosos, especialmente na tradicional festa do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora de Brotas, acompanhar casamentos, batizados, bem como os inesquecíveis bailes de Carnaval.

Sem contar com o presente especial que oferecia aos seus filhos e aos filhos de familiares e amigos, em seus aniversários, quando os acordava tocando “Parabéns”. Ensinava a todos com seu exemplo, nunca usava de violência.

DEPOIMENTOS

SAUDADE ETERNA

Por Zilca Lenira Oliveira Campos

Desde a infância senti o imenso amor de Pai por mim. Ele brincava comigo, levava-me para passear em sua bicicleta, sentada na frente, protegida por seus braços. Ele me achava linda.  Gostava de contar as histórias que Ioiô Artur contava para os filhos, criando a sua própria versão. Eu adorava ouvir as histórias, especialmente as do velho André, do Araci.

Aos 18 anos, pedi permissão a meus pais para vir estudar em Salvador. Com enorme sacrifício, eles possibilitaram a minha mudança para a capital e meus estudos durante cinco anos. Ficaram muito felizes quando passei no Vestibular e Pai encontrou meu nome na lista de aprovados em Economia, olhando da letra Z para cima, como me dizia, sorrindo.

Meus irmãos vieram em seguida estudar e trabalhar em Salvador. Quando já estávamos cansados de mudar de pensionatos, pedimos a nossos pais para se mudarem para Salvador. Outro enorme sacrifício, principalmente para ele, por sair de sua amada Brotas de Macaúbas. Mas ele escolheu estar ao lado da família.

Com muita alegria e orgulho, assistiu à solenidade da minha Formatura em Economia.

Ficou muito feliz quando compramos um apartamento no Matatu. Era no subsolo, amplo e aconchegante, parecido com uma casa. Pai gostava muito dali. Organizava encontros festivos para a família e amigos, principalmente o Réveillon. Sempre tocava saxofone em casa, nos finais de tarde e finais de semana. Nesses eventos caseiros ele me convidava para cantar, enquanto me acompanhava no saxofone. Eu não cantava nada, a voz muito fraca, desentoada, mas ele me estimulava com o olhar e gestos para que eu continuasse cantando e me aplaudia no final, por puro amor.  A música preferida era MOURARIA, que canto até hoje, desentoada do mesmo jeito, para relembrar os tempos felizes com meu Pai.

Vivemos um momento difícil, quando tive minha querida filha Violeta. Mas aquele amor incondicional foi bastante para superarmos e logo voltamos a ser felizes. E curtiu muito a netinha, durante seis anos.

Uma inesperada e terrível doença acometeu nosso Pai. Fizemos tudo que podíamos, na tentativa de salvá-lo. Naquele momento contamos com a inestimável participação de Damião Bregalda no tratamento de Pai, que o considerava mais que um genro, um filho. Artur Henrique também foi muito presente e nos ajudou sobremaneira no tratamento e em todos os momentos, como um sobrinho amoroso e dedicado.

Mas havia chegado a nossa vez de sofrer. Ele faleceu ao final de quatro meses. Eu fiquei dilacerada. Chorava todos os dias a caminho do meu trabalho, durante mais de seis meses. Nesse período, tive sonhos muito reais com meu Pai, onde ele vinha dizer-me que estava bem, que eu não ficasse assim tão triste. Consegui aceitar sua partida, sem esquecê-lo um só dia, nesses 31 anos e quatro meses de ausência. Eu o amava intensamente e vou amá-lo eternamente.

O grande legado de Pai para nós foi o seu exemplo de honestidade, abnegação, responsabilidade e amor à família.

Saudade eterna, Pai, das nossas conversas, dos conselhos, da confiança que podia depositar no senhor e do nosso imenso amor.

PAI MEU AMIGO, MEU HERÓI

Por Edilson Oliveira Campos

São muitas as lembranças que guardo de Pai. Mantenho na em minha vida os ensinamentos que recebi dele, principalmente no que se refere ao respeito, admiração pelas pessoas e a honestidade. Lembro-me nitidamente da conversa que tivemos, quando eu, ainda bem jovem, vim morar em Salvador.

 

Recordo-me que o acompanhava nas “tocatas”, segurando em um bolso da calça e meu irmão mais novo Nivaldo no outro bolso, pois éramos pequenos e Pai estava com as mãos ocupadas com o saxofone. A nossa participação nos eventos festivos era constante, já que em toda a nossa infância e adolescência convivíamos com esse mundo da música. Acho que deve ter sido uma decepção pra Pai nenhum dos filhos ter herdado o dom para a música, mas ele soube aproveitar o talento dos sobrinhos e os encaminhou nessa maravilhosa experiência de tocar e cantar.

Uma passagem que sempre ficou registrada da minha infância foi a primeira viagem que fizemos juntos para a Lagoa de Dentro, eu montado na garupa de seu cavalo, provavelmente era a Festa do Divino. Lá fomos muito bem recebidos por um casal de amigos, o Senhor Pio e Dona Dolores, um dia muito especial de farturas e de alegrias.

Na sua simplicidade, meu Pai sempre será o meu herói, meu amigo sincero. Tenho orgulho da boa convivência que tivemos, uma verdadeira amizade e hoje reconheço que tudo que sou, sem dúvida alguma, é fruto de tudo de bom que ele me ensinou. Acredito sinceramente que também a minha paixão e meu amor por Brotas vem do amor incondicional que ele tinha por nossa cidade.

Quero registrar ainda que, sempre com muito respeito, dizia a ele, que não me sentia obrigado a seguir algumas atitudes dele, que eu não admirava, pois ele era um gentleman, mas também sabia ser impertinente. Isso era motivo de brincadeira e sorrisos.

Com a partida repentina dele meu mundo desabou. Nunca imaginei viver sem ele. Ainda hoje tenho vergonha de chorar, mas, na sua partida, não tive como segurar e chorei a terrível dor de perder meu pai, meu grande amigo. A saudade dele foi tão grande que só consegui ouvir as gravações das músicas tocadas por ele, doze anos depois. Tive muita sorte de ter sonhado com ele dezenas de vezes.

COM ORGULHO CARREGO COMIGO O NOME DELE

Por Nivaldo Oliveira Campos

Nivaldinho, como eu era chamado, tenho muitas lembranças de minha infância ao lado de Pai, especialmente de estar sempre, como contou Edilson, segurando em um dos bolsos de sua calça, pois ele estava à frente da banda. Recordo muito de vê-lo nos finais de tarde e nos dias de sábado, sentado na porta da “tenda”, sempre bem vestido e elegante, ocasião em que comprava produtos da região, a fim de ajudar a quem por ali passava vendendo.  

Outra recordação que tenho dele era o grande prazer que sentia em receber os músicos, seus amigos, para um café reforçado na tenda ou em nossa casa.

Na minha mente ficaram registradas as muitas viagens que fizemos juntos para Ibotirama. Relembro com alegria ainda a imensa felicidade que ele sentiu quando, juntamente com Zilca, fui visitá-lo em Caravelas, onde ele estava trabalhando. Foi uma viagem muito cansativa, mais de doze horas de ônibus. Pai ficou preocupado com a nossa volta, mas conseguimos duas passagens em avião da FAB até Ilhéus e, de lá até Salvador, viemos num bimotor. Aquela que foi uma viagem difícil e cansativa, mas valeu a pena pela felicidade que juntos vivenciamos em Caravelas. 

EU SEMPRE VOU GUARDAR EM MEU CORAÇÃO

Por Lícia Layse Campos Bregalda

 No meu coração estão guardadas as lembranças de Pai, em vários momentos, como as viagens para Ibotirama, que ele chamava de “Estufa”, devido ao calor intenso. E, principalmente, das chegadas dele, que trazia sempre muitos doces para mim. Ainda dormia no berço e, quando acordava, ficava imensamente feliz ao ver aquela variedade de guloseimas na janela próxima ao berço. Daí a minha paixão por doces, fruto da memória afetiva da infância.

 Uma lembrança triste que guardo foi da época da ditadura militar, quando, ainda criança, tinha muito medo dos “aparelhos” que apareciam no céu de Brotas, aqueles helicópteros que o Exército usava para procurar os “terroristas”. Nessa época Pai ficava muito apreensivo e recluso em casa, pois os soldados do Exército estavam à procura do seu primo e amigo José Campos Barreto (Zequinha), considerado terrorista.

No início da minha adolescência, lembro-me da época que, por uns seis meses, fui morar em Ibotirama, juntamente com meus pais. Lá ficamos hospedados na pensão de D. Anízia, uma pessoa muito gentil e atenciosa. Nesta época já me interessava em participar das diversões noturnas da cidade e queria conhecer a “boite de Ibotirama”, como era conhecido o pequeno espaço de danças da cidade. Meus pais não permitiam, porém consegui burlar a determinação e a vigilância de pai e conhecer a “boite com algumas amigas.

Porém, de tudo que ficou em meu seu coração, duas coisas são bastante significativas:  primeiro, a imensa saudade que sinto de meus pais e a segunda, a grande satisfação e orgulho de ter tido meu pai ao meu lado, num dos momentos mais importantes de minha vida, a minha formatura do curso de Medicina. Na solenidade, ele entrou comigo como padrinho, muito elegante e feliz.

UM PRESENTE DE DEUS

Por Valnice Rosa Campos Leal

Falar de Tio Nivaldo é um prazer, é ter a oportunidade de reviver o presente de Deus que ele foi em nossas vidas.

Ele sempre foi um homem silencioso, porém bem humorado e atencioso, presente tanto nos momentos alegres quanto nos de tristezas da família, pois sempre se manteve unido aos irmãos, uma característica marcante da nossa família.

Tive o privilegio de ser sua primeira sobrinha e gostava da estima e atenção que ele tinha por mim e adorava receber os seus mimos, principalmente ao perceber que ele gostava muito da minha voz e sempre me chamava para cantar, principalmente nos momentos comemorativos da família. Lembro que ele sempre pedia para eu cantar sua música preferida, Mouraria, que até hoje ressoa em meus ouvidos a bela introdução que ele fazia no saxofone.

Para agradar seus sobrinhos ele construiu o que chamou de “Carrossel”, uma espécie de charrete que era acoplada na bicicleta e, nos dias de domingo, à tarde, ele reunia as crianças, para passear em seu “Carrossel” pelas ruas da cidade. Eram momentos maravilhosos e de grandes alegrias.

Nos meus primeiros tempos de escola, eu tinha muita dificuldade na escrita e uma letra muito miúda. Então ele, ao ver uma prova que fiz, com a minha professora Terezinha, sua esposa, resolveu me ensinar. Com sua letra muito bonita, escreveu um texto e pediu que eu copiasse  tantas vezes quanto necessário até ficar igual. E assim  foi que eu melhorei bastante a minha caligrfia.

Tenho boas lembrancas do período que morei com ele na cidade de Barra do Rio Grande. Ele foi transferido para trabalhar na agência dos Correis da cidade, no cargo de  Inspetor de Linhas Telegráficas. Na epoca eu que estudava no Colégio Santa Eufrásia e fui morar com ele. Assim me sentia em casa, protegida, o que amenizava a saudade que sentia dos meus. No periodo de férias escolares ele levava os filhos Zilca , Edilson e Nivaldinho para ficar conosco.

Seus maiores amores eram a familia, a terra natal Brotas e a música.Tinha total dedicação ao estudo da gramática e da língua portuguesa e usava os seus conhecimentos para nos corrigir, quando falávamos errado.

Os dias de aniversário de seus filhos e sobrinhos  tinham sabor de festa, pois era certa a sua presença. Acordávamos com ele com seu sax, tocando parabéns para o aniversariane, o que por si só, já era uma grande alegria.

Parabéns, tio Nivaldo, pelos 100 anos revividos pela lembrança em nossos corações.

SOUBE TRATAR SEUS SOBRINHOS

Por José Carlos Campos Queiroz – Zelito.

Nivaldo Rosa Campos soube tratar seus subrinhos sem interferir na sua educação e, o mais importante, ajudou nosos pais a não nos tornarmos meninos malcriados.

Em geral todos já tivemos um tio ou uma tia que teve um lugar de destaque em nossa recordação. Tio Nivaldo, ao longo dos anos,  conquistou nossa confiança e nosso respeito, com seu jeito sincero e atencioso.

Ele tinha relação direta e próxima com todos os sobrinhos. No final dos anos 70, por varias ocasiões,  fui seu hóspede, quando morava no bairro do Matatu, em Salvador, onde sempre fui muito bem tratado. Que o diga todos os parentes e amigos que participaram de todas as festas e confraternizaões realizadas em sua residencia.

 Tio Nivaldo continua eterno em nossa Memória, na música e em nossos corações.

VOVÔ NIVALDO

Por  Violeta Campos Ribeiro Vilas Bôas

Vovô Nivaldo partiu muito cedo e por isso, infelizmente, eu não tenho muitas lembranças da convivência com ele, mas as poucas que tenho me marcaram muito.

A primeira que me vem à mente é de, nos dias em que minha mãe me deixava na casa de meus avós, irmos juntos, sempre no final da tarde, comprar pão no mercado “CB”. Eu adorava esse passeio! Íamos andando, conversando, de mãos dadas e quase sempre ele comprava para mim um saquinho de balas, coisa que hoje em dia nem é tão apropriado para crianças.

Outra lembrança que eu tenho é dele colocar vários preguinhos em um pedaço de madeira e dar um martelo pequeno para mim e para meu primo Afonso batermos. Enquanto isso, ele fazia móveis e outros objetos de madeira e eu tinha certeza absoluta de que estava fazendo também.

Falando em móveis, o presente mais lindo que ele me deu foi um jogo de sofá, poltronas e mesa de centro em miniatura que ele mesmo fez. O sofazinho e as poltroninhas forrados com um veludo vermelho e a mesinha de centro perfeitamente talhada tal qual a mesa de minha avó. Brinquei muito com esse brinquedo, depois passei para minhas primas mais novas, Carolina e Júlia, que também brincaram muito. Hoje esse joguinho já retornou novamente para mim e em breve vou dar de presente para minha filha Aurora brincar.

Não posso deixar de falar dos “Parabéns para Você” que ele tocava no saxofone nos nossos aniversários, tornando esse momento tão único e especial! Ficava orgulhosa, pois entre todos os meus amiguinhos, eu era a única que tinha um músico tocando sax, esse instrumento tão lindo, ao vivo, no aniversário.

Quando soube da sua morte, mesmo sendo apenas uma criança, tomei um choque. Ninguém havia conversado comigo sobre a gravidade da doença e eu, na minha inocência infantil, jamais poderia imaginar que isso poderia acontecer. Para mim, adoecer era ter gripe, febre ou dor de garganta, mas nada que pudesse tirar uma pessoa tão especial do nosso convívio.

É lamentável que a partida de vovô Nivaldo tenha sido tão precoce. Vira e mexe me pego pensando como teria sido a minha infância e adolescência se ele estivesse presente… Não tenho dúvidas de que seria muito alegre e musical.

UMA REFERÊNCIA DE VIDA

Por Artur Henrique Rosa Matos

Um mestre e uma referência de vida para mim. Tio Nivaldo adorava Brotas, tinha um mundo de amigos na nossa cidade, contribuiu muito com a sociedade recriando a banda de música e participando intensamente da nossa vida cultural. Como era da oposição ao poder local, pagou um preço alto, as transferências para outras cidades. Mas, mesmo assim, continuou sensível, alegre e feliz, consciente de que seus filhos seguiriam na boa educação para continuar sua obra.

Quando fui estudar em Salvador, me acolheu em sua casa com amor e carinho. Foram muitas horas de conversa, onde eu aprendi muito da sua experiência profundamente humana de encarar a vida.

GALERIA DE FOTOS.




 













 



Texto: Wanderley Rosa Matos

Zilca Lenira Oliveira Campos


BROTAS NA HISTÓRIA: CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE NIVALDO ROSA CAMPOS
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